Mas não sei bem se perdi o dom, ou se já não estamos no mesmo mundo.
Devo-me encontrar num paralelo, onde tudo é plano e sem ramificações. Porque agora que sonho, não estás lá mais. Mas se sei que existes, onde estás tu? Onde te meteste tu? Será confusão minha, ou loucura tua que deixaste de aparecer(?)
Que fuga, que fuga de sanidade me consome as madrugadas. Se sou um ser vazio, porque penso?
Nem vou perguntar porque existo, que isso pode ultrapassar qualquer ambiguidade no Universo.
Se um dia já fui, e agora não sou mais, não faz de mim nulo. Faz de mim um corpo, um corpo que é capaz de fazer restart na própria alma como se nunca nada tivesse se realizado ou criado.
Será que acompanhas o que digo? Talvez. Ai do outro lado onde não tenho acesso, vê-se mais que aqui.
Há sempre um lugar nos meus pensamentos, tudo se encontra e se perde, num sítio onde não alcanço com a razão. Porque realmente não me acho merecedor de chegar lá.
Fui sugado do futuro, para o presente, como um buraco negro consome matéria. Fui sugado do que era, para o que sou, e sugado do que podia ser, ao que realmente sou. Mesmo assim, não há como dividir os seres.
Nã há forma de ser deus, porque não sou posto ao sacrifício. Porque se me pusesses ao sacrificio, faria das melhores obras que já viste.
Contudo, confino-me no agora, sabendo que nunca chegarei ao mais tarde, nem passarei pelo depois.
Sei parar no tempo, sem reverter a evolução. E para além de tudo isso, sei ser um menos eu.
